• Ana Luiza Moreira

A Linda Morte é pura poesia (Crítica reflexiva e SEM Spoilers)

Fala Freaks! Hoje o nosso papo é sobre A Linda Morte, quadrinho francês que conta a história de Wayne, Jeremiah e Scham, os únicos sobreviventes de uma invasão devastadora de insetos alienígenas. Esse é um dos meus maiores medos, não alienígenas, mas sim insetos, então me senti tensa do início ao fim esperando por ataques dos insectoídes, que com o tempo não se pareceram mais tão horríveis em comparação com uma vida pautada em sobreviver e não estar vivendo, não aproveitar nada da vida. Como coloquei um alerta de surto na review de Cidade Invisível, creio que deveria colocar aqui também: Se você tem muito medo ou asco de insetos, talvez seja melhor não ler este quadrinho, ou então, ler em um momento mais tranquilo, porque os bichos são bem feios. Na HQ nos deparamos com uma Terra muito diferente, afinal, o fim da humanidade aconteceu. E temos aí uma abordagem interessante dos personagens, que procuram um objetivo, um destino, alguma razão que justifique a presença deles em um mundo em ruínas, e para mim, este é o primeiro acerto, a complexidade dos traumas e comportamentos dos personagens, além das diversas camadas que podemos observar neles.

De repente a sobrevivência ganha um tom de solidão

Este quadrinho tem um traço de desenho bem diferente dos que eu costumo ver, não é uma doce pintura de paisagem, uma alegre visão da humanidade e nem o retrato dinâmico dos quadrinhos de heróis, as artes são sóbrias, contidas e tem toques que eu não tenho outra palavra para usar além de densos. Em A Linda Morte também temos reflexões sobre a entidade do titulo, a dona morte, as ideias passadas foram muito impactantes para mim e me fizeram pensar no vazio que nos aguarda, seria ele um descanso ou o simplesmente nada? "Toda alma se dissolve em seu retorno ao vazio estrelado para o nada onde se originou em primeiro lugar" É bonito, triste e simples poesia. Já sobre a vida, apesar de tudo estar devastado, nossos personagens ainda se pautam por impulsos tradicionais e que construíram a sociedade, como: compromisso, desejo, apego e responsabilidade. Tudo pode estar acabado, mas o ser humano ainda se agarra ao que lhe foi imposto a vida toda. E no fim, nem sempre precisamos de um propósito, as coisas fluem naturalmente e ocorrem em ciclos que somos pequenos demais para enxergar. De fato, a morte é linda.

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