• Ana Luiza Moreira

Cidade Invisível apresenta o folclore brasileiro para o mundo (SEM spoilers)

Na sexta-feira estreou a primeira temporada de Cidade Invisível, nova série brasileira da Netflix que apresenta ao mundo as criaturas do folclore nacional. Aqui a conversa é com poucos spoilers, então venha se aventurar!


Em Cidade Invisível conhecemos Eric, um policial ambiental que descobre a verdade sobre as lendas brasileiras
Em Cidade Invisível conhecemos Eric, um policial ambiental que descobre a verdade sobre as lendas brasileiras

A obra é focada no detetive Eric, que segue atormentado pelas investigações de um assassinato que pode ter ligações com seu passado, e se envolve em uma batalha entre o mundo visível e um reino invisível habitado por criaturas fantásticas. Ao todo, são sete episódios que tem entre 30 e 40 minutos, sendo muito fáceis e dinâmicos de se maratonar. Devo dizer que essa é uma das melhores séries BR do streaming, ficando ao lado de Coisa Mais Linda e Bom dia Verônica. A preservação do meio ambiente é uma pauta constante nos episódios, o que faz muito sentido já que as lendas provém da natureza, mas o que quero dizer é que aqui também tem uma mensagem política sendo colocada, e ela fala sobre como estamos destruindo os lares de muitas pessoas apenas visando o lucro e que isso precisa acabar: as queimadas, a poluição e a invasão de ambientes intocados pelo ser humano. Além disso, uma das coisas mais legais da série é essa mistura orgânica entre o folclore e o urbano, mundos que se intercalam de maneira natural e acabam se expandido principalmente no núcleo infantil, com a narrativa do Saci Pererê e também do ser mitológico feito por Alessandra Negrini (Sítio do Pica-Pau Amarelo feelings). Sobre a trilha sonora, que delícia! Nossa musicalidade é incrível e ver ela sendo tão bem aproveitada é de dar orgulho, temos diversos ritmos durante os episódios, mas se destacam os sons das músicas de capoeira e a harmoniosa voz de Camila ou melhor, Iara, nossa apaixonante sereia BR.

O passado de Eric também é incrível, e a revelação sobre sua descendência, eu definitivamente não esperava! Ver como ele se encaixa na história é maravilhoso e sabemos que essa é a sua vantagem no meio dessa "guerra", mal posso esperar para saber como isso será usado mais para frente. Dos pontos negativos, algo que me incomoda, e isso na maioria das produções brasileiras, é a atuação que acaba sendo um pouco forçada (novelistica), como no caso da Márcia, parceira do Eric, e de outros personagens secundários, que tem falas pouco naturais, do tipo que nos fazem pensar: "Será que alguém fala assim?" Queria ainda que mais personagens do folclore fossem explorados, talvez ter mais tempo de tela do Curupira ou então ver outras dessas criaturas em suas formas naturais fosse um caminho mais acertado, acho que isso deixaria o meu coração mais quentinho. Para nós as referências são claras, mas penso que para os gringos é possível que falte um pouco mais de didatismo. Adendo: A série tem alguns insetos que me dão um pequeno asco (lesmas, lagartas e mariposas) se também for sensível, prepare-se para isso. Mesmo com alguns pontos que poderiam ser melhorados, Cidade Invisível é um ótimo cartão de visitas sobre a cultura do nosso país, e certamente o dedo de Carlos Saldanha, o brasileiro criador de Rio e outras produções internacionais, tem muita relação com isso.

Aguardo ansiosamente pela segunda temporada, e vocês Freaks?!

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