• Mateus S. Santos

Cursed: A Lenda do Lago – 1ª Temporada (Crítica com Spoilers)

Cursed – A Lenda do Lago, a nova série da Netflix estreou recentemente. E tomando de uma fonte muito conhecida na cultura pop mundial, as lendas de Arthur e seus cavaleiros, a nova série vem mostrando uma nova ótica de uma história bastante conhecida. A Freaks! assistiu a primeira temporada e te dá uma dica se vale a pena assistir!


O começo

Cursed resolve fazer algo que já foi feito milhares de vezes, uma reinvenção das crônicas Arturianas, agora focando em Nimue, a dama do lago. Antes de se tornar a mítica dama, a jovem que é interpretada por Katherine Langford, passará por diversos percursos. Nesse ponto, Nimue é a típica heroína, uma garota que sofre de preconceito por ser diferente, nesse caso, por ter poderes mágicos incontroláveis até mesmo para os de sua raça, os Feéricos.

Aqui a série se torna um clichê teen, Nimue é uma rebelde que sonha conhecer os portões fora de sua casa. Temos a chance de conhecer o mundo e de sua mitologia própria através dela e entender um pouco mais sobre os féericos. Apesar de viverem em uma “relativa” paz, a tensão entre os féericos e humanos começa a se agravar quando a Igreja deseja limpar as terras da Bretanha, e como fazer isso? Através de uma sangrenta Inquisição, os intitulados de Paladinos Vermelhos liderados pelo padre Carden (Peter Mullan) vem matando várias vilas de féericos enquanto o rei Uther (Sebastian Armesto) não faz nada.

Nimue recebe a espada mágica de sua mãe que está prestes a morrer encarregando a jovem de devolver a espada mágica ao mago Merlin (Gustaf Skarsgård), é nesse ponto que a história começa. Em vários percursos, a jovem Nimue agora portadora da espada do poder (que ainda não tem seu nome de Excalibur) tem de lidar com um novo estilo de vida, sendo caçada pelos paladinos vermelhos que querem a todo custo a famosa espada dos primeiros reis, como foi batizada na série, além disso ela tem de lidar com os seus próprios poderes ocultos e a força da espada que a age como o Um Anel de Senhor dos Anéis, corrompendo seu portador aos poucos.

Nimue a futura dama do lago...em um lago.


Os Personagens

Todos os grandes e conhecidos personagens estão ali: Morgana, Arthur, Merlin, Lancelot, entre outros. Porém todos em uma nova “roupagem”. Arthur por exemplo, não é o filho do rei Uther ou o grande cavaleiro, Arthur é um mercenário, mas tendo toda a honra de um cavaleiro. Já mostrado desde o primeiro episódio, Arthur é um dos personagens que me fizeram pensar bastante quando foi apresentado, afinal todos sabemos que no final a espada será empunhada por ele.

Mas é interessante aqui como sendo um personagem secundário e não o protagonista trazem nuances interessantes para ele. Apesar que no começo parecer que será somente o par romântico de Nimue, a passos lentos o personagem vai evoluindo sendo que no final podemos ver uma pequena sombra do que ele poderá ser no futuro.

O mesmo vale para Merlin: O personagem aqui foi transformado em algo parecido com o Loki da Marvel, um bêbado que vive para enganar os outros. Merlin é um dos personagens que mais chama atenção na série, é com ele que podemos ver o real poder da magia e aprender um pouco mais sobre a mitologia do mundo. Sem magia e irônico, o personagem de Gustaf Skarsgård, é o que mais vai ganhando camadas e sinceramente ao lado de Pym são os personagens que salvam a série em alguns pontos.

Pym que é interpretada por Lily Newmark, é o personagem que tras os momentos mais amenos na série, além de também trazer o núcleo dos Vikings até a narrativa de Nimue. Falando em Vikings, apesar de alguns personagens serem fora da curva ou verdadeiramente caricatos, todos são muito bem retratados, sinceramente até mais que alguns personagens principais, sendo mais interessante a história de Lança Vermelha com o rei do gelo do que o passado de Arthur por exemplo.

Ainda na categoria de personagens mais importante, há que se destacar Igraine (Shalom Brune-Franklin), irmã de Arthur, que tem sua história devagar passando de uma freira para uma lutadora até chegar em uma versão esquisita do que seria nas lendas. Tudo isso em um desenvolvimento devagar, que so melhora no final (bem lá no final mesmo) e que ainda faz coçar a cabeça de tão diferente, exigindo algum tipo de explicação em eventual segunda temporada.

Uther Pendragon (Sebastian Armesto) outro personagem importante na história, é estabelecido como um vilão de filme de 007 que, inseguro e medroso, irrita tanto que cumpre seu objetivo, assim como sua mãe, a Rainha Regente Lady Lunete (Polly Walker), uma mulher que tem veneno saindo de todo seu corpo quase. Do lado dos odiosos Paladinos Vermelhos, Peter Mullan, o padre Carden, é sem dúvida o destaque, seguido do misterioso Monge Choroso (Daniel Sharman) que funciona no “estilo Boba Fett” de ser, ou seja, o caladão com uniforme bacanudo.

No entanto, por ser uma série que recorre ao bom e velho artifício do “ah, mas então ele/ela na verdade é o/a [inserir personagem famoso das Lendas Arturianas]”, as grandes revelações de identidades diferentes vão pontilhando um tanto quanto artificialmente os episódios, com uma delas acontecendo muito cedo ainda, outra lá pela metade da série quando um personagem chamado Cavaleiro Verde (Matt Stokoe) literalmente cai de paraquedas na história como amigo de longa data de Nimue que nunca havia sido sequer mencionado, ganhando enorme destaque a partir daí, e uma terceira e quarta revelações já mais para o final. É extremamente cansativo isso e nesse ponto a história tende a ficar um pouco boba e sem nexo.

Arthur e os líderes feéricos... ainda não sabemos nada sobre eles


O Mundo e a Magia

Sinceramente quando mostraram para mim o trailer de Cursed eu esperava um mundo semelhante ao apresentado em Crônicas de Arthur de Bernard Cornwell. Você não consegue dizer se magia existe ou não naquele mundo e em Cursed é algo “parecido”. Mesmo tendo raças mágicas como os faunos, o povo do céu (que é a raça de Nimue) e tanto outros, a maioria deles não usa magia somente alguns de seu povo e mesmo estes não fazem grandes habilidades, somente alguns personagens mais extraordinários como o próprio Merlin e Nimue.

Apesar disso, a história trabalha bem os féericos e suas diversas raças, assim como os locais e regiões, lembrando bem aquela “pegada” de RPGs. Um ponto importante é a divergência em tipos de usuários de magia que o mundo parece ter, somos apresentados a vários tipos ou vários nomes para uma mesma coisa: desde bruxa ou bruxo, passando por mago e esbarrando em termos como druida e lordes das sombras. No final, não sabemos o que de fato são os que usam magia, sabemos só isso, eles têm algum dom mágico.

Mesmo sem magia Merlin continua mágico!


O Futuro e tudo mais!

A série tem um futuro promissor nas mãos. Fomos apresentados a vários personagens como o Lancelot sendo o monge choroso, Percival sendo o Esquilo e muitos outros que estão intimamente ligados as histórias de Arthur. Na segunda temporada é bem possível que veremos mais outros personagens, no final quando Arthur se encontra com Lança Vermelha parece acontecer uma química entre os dois, será que a Viking violenta é na verdade Guinerver a futura consorte de Arthur? E se for, como ficará o relacionamento dele com Nimue? Nimue vai já se tornar a dama do lago? Essas são algumas perguntas que esperamos ser respondidas na segunda temporada.


Vale a Pena ver?

Cursed – A Lenda do Lago, tem muitos pontos a melhorar, algumas atuações, personagens mal desenvolvidos, história mal desenvolvida. Mas pode melhorar! falta um toque de paixão em sua aventura, algo que abale as estruturas do público, fazendo que ele peça por mais. No momento, a série apenas apresenta uma história ok. E isso é um desperdício, quando se tem um universo tão rico a explorar.


Nota: 6 de 10

Episódio Destaque: 1x10 (O final é surpreendente, vale a pena u.u)

Pergunta: O que você sentiu falta em Cursed?

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