• Ana Luiza Moreira

“Da Colina de Kokuriku” fala sobre a importância de se preservar a história (Crítica SEM spoilers)

Atualizado: Out 15


O "Quartier Latin" do filme é referência ao local de mesmo nome em Paris (Informação da leitora Liliana Watanabe)

Seguindo a lista de filmes do Studio Ghibli para ver na Netflix, esta redatora Freaks! traz para vocês uma crítica sem spoilers de “Da Colina de Kokuriku”, filme de 2011, dirigido por Gorō Miyazaki.

Em uma rápida sinopse, o filme fala sobre vários adolescentes, entre eles Umi e Shun, que em 1963, lutam para preservar um velho edifício que vai ser demolido por causa das Olimpíadas de Tóquio.

Já começo dizendo que este é um filme cheio de personalidade e que apesar de ser do Studio Ghibli, não se mantém nos ótimos clichês da produtora, inovando ao apresentar algo que não é "tão fantástico" e sim mais pé no chão, cotidiano mesmo. Como obra pé no chão do estúdio poderíamos citar também "Eu Posso Ouvir o Oceano", mas “Da Colina de Kokuriku” é muito melhor que ele, em minha opinião.


Uma das coisas notáveis do longa é sua maravilhosa trilha sonora, deixando-o muito mais agradável e nos auxiliando tanto nas cenas mais cômicas, quanto nas mais emocionais. A animação também é excelente e não esperava menos, é tudo muito vivo e detalhado.

Gosto também do fato do protagonismo feminino ser sempre bem explorado pelo Studio Ghibli, e dessa vez não poderia ser diferente, Umi é questionadora, bondosa e decidida.

Em minha opinião este é um filme inteligente e que fala sobre a busca pelo conhecimento (referenciando o ET Bilu), além da importância de descobrir quais são nossos ideais e de lutar por eles. É sobre explorar e se entender, coisas importantes na adolescência.


É possível sentir na obra a rebeldia e o vigor jovem, que pensa na mudança, tem esperança de que as coisas acontecerão da forma como ele quer, e essa é uma inocência tão boa de ver, principalmente em tempos de pandemia.

O filme também aborda a importância de respeitarmos a história e tentarmos preservar ela, seja através da tradição, do cuidado ou da restauração de algo que é significativo de forma emocional, social e cultural.

Sobre a relação dos personagens, normalmente eu não gosto muito dos romances que são construídos nos filmes do estúdio, acho que acontecem muito rápido e na maioria das vezes os personagens são crianças, mas dessa vez eu gostei. Acredito que foi bem delicado, sutil e adolescente, principalmente ao brincar com a história de origem dos personagens, achei um toque interessante para a história e não esperava.


Falando sobre algo que me causou um pouco de estranheza coloco aqui a dublagem, achei ela bem diferente, não sei se gostei ou não, mas tem um sotaque e uma entonação que não é a mesma das que estou acostumada a ouvir.

Em resumo, “Da Colina de Kokuriku” é um filme que voltarei a assistir em um futuro próximo e que recomendo que vejam também!