• Ana Luiza Moreira

Dragões de Éter- Caçadores de Bruxas consegue ser original ao adaptar contos de fadas conhecidos

Depois de muitos anos parado em minha estante, finalmente peguei o box dos Dragões de Éter para começar a ler. Escritos pelo brasileiro Raphael Draccon, os livros contam a história de Nova Ether, um mundo regido por semideuses, fadas e outras criaturas fantásticas.


Livro apresenta um mundo fantástico e baseado em contos de fada

No primeiro volume, Caçadores de Bruxas, somos apresentados a tramas que se cruzam em uma única cidade, dentre elas a história de Ariane, que é inspirada na Chapeuzinho Vermelho, Jamil que é filho do Capitão Gancho, além de João e Maria, da lenda da casa de doces. Para ser sincera, as primeiras 100 páginas do livro foram muito difíceis de passar, e o principal motivo é porque as histórias não se conversavam direito e eram cortadas a todo momento, isso me incomodou muito, pois eu sentia que o narrador estava literalmente me enrolando, dando voltas e voltas que não chegavam em lugar nenhum. Demorei também para me adaptar a narrativa onisciente de Draccon, que é muito bem feita, mas da qual não sou muito fã, pois acabo me perdendo entre os pensamentos do autor, os que ele acha que eu terei e os que os personagens têm, isso sem falar que nessa longa escrita, acabam surgindo uns pequenos suspenses que não tinham a mínima necessidade. Uma outra coisa que me tira da imersão do livro é o personagem do professor Sabino, que sempre sabe de tudo e nunca nos apresenta uma razão plausível para suas conclusões, é basicamente como se ele tivesse tirado a informação do bolso, ou melhor, como se o autor não tivesse pensado em como introduzir certas questões, e para interligar a trama, usasse esse artifício. Uma última reclamação é que a trama de Axel me parece algo que poderia ser resumido em poucos capítulos, e não perdurar pelo livro todo, achei essa uma escolha estranha do autor porque sinto que o personagem não cresce no caminho, não aprende nada, e talvez, vê-lo na história em que o Rei Primo vai definhando aos poucos fosse mais interessante e acrescentaria um trauma diferente que motivaria ações maduras do personagem no segundo livro. Agora focando em partes boas, na segunda parte do livro a coisa muda de figura, de repente e por causa do ataque de Jamil, os personagens passam a interagir e ganhar histórias mais interessantes, a própria Ariane que antes tinha a função de perseguir Maria e babar no príncipe Axel, agora se descobre bruxa e passa a aprender sobre a história delas, assim como a caçada das bruxas que ocasionou no reinado de Primo. Uma observação legal que Draccon faz no livro é sobre o linguajar de Ariane, uma adolescente que usa várias gírias de seu mundo, como "inteiro". Eu amei como isso foi trabalhado, o modo de falar dos plebeus, dos adultos, dos adolescentes e dos nobres, que através de algumas características, podemos identificar rapidamente quem está falando e em qual circunstância se encontra. Em relação a esses toques pessoais do autor, devo dizer que as tramas mais originais foram as que mais me conquistaram, em especial a do pirata Snail Galford, que se encontra em uma encruzilhada entre o pirata mais cruel de todos e um rei furioso, dando a volta por cima e se destacando pela inteligência acima de média. Torço para ver mais dele e Liriel no próximo livro, acho o relacionamento dos dois ótimo. Maria também foi uma grata surpresa para mim e conquista o leitor por não ser apenas o interesse romântico de um príncipe, mas sim uma das peças centrais da narrativa por sua curiosidade e ávida inteligência. Gosto de como a personagem se porta e acho ela uma das mais consistentes da história. Quanto ao final da história, adorei que ele não deu muitas voltas e foi concluído de uma maneira que deixa o espectador contente pelo encerramento de um ciclo e curioso para saber o que está por vir no próximo livro. Gostaria de elogiar especialmente penúltimo capítulo da obra, no qual Draccon abre seu coração e mostra o quanto a história de Nova Ether é importante e deve ser lembrada por nós e por ele para existir. Quero dizer aqui que vou me lembrar, e que este é o caminho para termos mais obras de literatura fantástica brasileira. Quanto ao último capítulo narrando a história de Babau até chegar em João e Maria, que terror bom! Me lembrou muito o filme A Bruxa. É mais disso que eu quero no segundo livro.




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