• Ana Luiza Moreira

Enola Holmes se mantém clássico e surpreende ao tratar de questões importantes- Crítica com SPOILERS

Fala Freaks! depois de muita espera, finalmente pudemos ver algum novo conteúdo cinematográfico relacionado ao universo do Sherlock Holmes, um personagem extremamente cativante e popular. Desta vez, na produção da Netflix, somos apresentados a sua irmã mais nova, a inteligente e carismática Enola.


As caras e bocas de Millie Bobby Brown em Enola Holmes são tudo!

Em uma rápida sinopse, o filme fala sobre o desaparecimento da mãe de Enola em seu aniversário de 16 anos, fazendo com que a garota procure a ajuda de seus irmãos mais velhos. Mas assim que ela percebe que eles estão menos interessados em resolver o caso do que mandá-la para o internato, Enola foge para Londres para fazer sua própria investigação.

Sobre os aspectos técnicos do filme não há reclamações que eu possa fazer, ambientação, figurino e construção de mundo são muito bons, a fotografia é linda e a montagem do filme é extremamente dinâmica, dando alguns respiros no meio de uma história que considero longa.

O filme pode ser descrito como empoderador (essa palavra clichê mesmo!) para meninas mais novas e algumas mais velhas que ainda não sabem sobre a importância do feminismo, trabalhando assuntos como: a força da mulher, a importância do voto, de se expressar e toda a luta que fez com que o sexo feminino chegasse ao local em que estamos hoje, ainda não igualitário, mas muito melhor do que em 1800, época de Enola. O mais importante disso é que a obra trata as pautas de uma forma que não considero nada forçada.



Ainda preciso dizer que Enola é uma ótima protagonista, sendo engraçada, independente e muito esperta. A forma como ela fala com o espectador é impagável, achei muito bem feito e, sim, engraçado. Não tenho palavras para as caras e bocas da Millie Bobby Brown, a atuação dela tá impecável nesse filme.

Falando ainda sobre atuações, acho que uma das grandes curiosidades dos fãs era ver como Henry Cavill ficaria como Sherlock e a resposta é que ele está ótimo. Gosto da singela aparição dele na história, que apesar de ser um pequeno detalhe, ainda marca a presença forte do personagem.

Algumas outras coisas legais do filme são a forma como o mistério vai se desvendando aos poucos e interligando as duas histórias (a do marquês e a do desaparecimento da mãe de Enola), a própria Helena Bonham Carter, que como mãe de Enola me fez querer ter uma educação daquele tipo, e também a forma como é retratado o controle imposto pelos homens, a necessidade de enquadrar mulheres em padrões, tudo isso, para tornar elas "menos perigosa".

Já sobre o que eu não gostei, sinceramente, não acho que com a mensagem que o filme queria passar seria necessário ter a história do marquês puxada para o viés romântico, apesar de Enola ser focada e entrar nessa trama como uma defensora dele, no final voltamos para aquele estereótipo de donzela em perigo. Além disso, o filme é muito longo! Poderia ter uma hora e meia sem problemas, se tirassem a parte do internato, que ao meu ver é desnecessária.

Por fim, o filme traz um mistério cativante e sem grandes pretensões, sendo não excelente, mas passando longe do ruim. Essa pode ser uma nova franquia da Netflix, porque como diz a mãe de Enola: "nosso futuro só depende de nós".