• Ana Carolina

Q-Force - Primeiras Impressões (SEM Spoilers)


Q-Force
Animação foi inspirada em Três Espiãs Demais

“Hi babe”! Q-force é uma comédia de animação adulta americana de apenas 10 episódios com temática LGBT. Foi inspirada nas Três Espiãs Demais! (Totally Spies!) e isso me chamou bastante atenção. Mas por ser apenas uma inspiração, não tem nada a ver com o das garotas: apenas a ideia de serem super espiões disfarçados.


Apresenta temática e representatividade LGBTQIA+ ideal. Será? Eu poderia dizer que foi uma super representatividade, só que não. Claro que queremos representatividade, mas não de modo caricato. Eu vi apenas o piloto para comentar com vocês, pois apesar de serem episódios curtos, eu gosto de fazer primeiras impressões apenas com o piloto. A partir do segundo já tem muito spoiler e não respondo por mim. Brincadeiras à parte, o Q-Force tem uma ideia bacana e justamente por isso, venho conversar com vocês sobre. Depois daqui vou correr maratonar, nem me esperem online.


Logo nas cenas iniciais, o protagonista Steve Maryweather vivencia cenas de ação como um bom espião. Ele então é promovido e aproveita seu momento de fala para fazer a revelação bombástica de que é homossexual. O chefão machista então suspende o seu discurso, que trata as mulheres da equipe como meros objetos, e passa a promoção para um “super hétero”.


Ele é mandado para West Hollywood e seu sonho desmorona. Na sinopse já encontramos a informação de que ele é um agente homossexual, pois a premissa é ele mostrar seu valor apesar de ser julgado pela sua orientação sexual. E não só o valor dele, mas do seu grupo. Enquanto ficam na garagem atrás de uma missão mais chinfrim que outra, eles aguardam pela “liberação” das missões (lê-se aceitação). Eles não são aceitos e dignos de missões oficiais. O grupo acaba sendo intitulado como Queer Force justamente pelos superiores. Inclusive a garagem que mencionei é o local secreto deles. Steve fala para as pessoas que é designer de interiores e nesse ponto temos cenas de nudez de alguns personagens.


Resumindo, a animação reflete o desprezo que eles recebem da sociedade e principalmente do chefe; mas que mesmo assim, o protagonista e seus amigos de operações tem uma relação de amizade, com cada integrante podendo ser livre com sua orientação sexual em um espaço seguro e de respeito.


Quando Steve percebe que se passaram dez anos e nada mudou, ele resolve dar um basta. Ele consegue pistas e uma missão real! E a partir de uma missão verdadeira, consegue realizar um feito que garante um passaporte para a valorização. Agora a equipe vai deixar a estrutura disponível que eles merecem: adeus garagem apertada e sem recursos. Mas eles ainda terão que provar que são merecedores de tudo isso.


Como eu disse anteriormente, a ideia é interessante, por tratar de uma forma leve a representatividade. O que mais me preocupa é o jeito caricato, assim, parece mais uma comédia sem sentido que não fará ninguém refletir. Mas há um público que curte esse estilo mais escrachado. Fora que para os mais jovens nem sempre é indicado, por conter certa nudez e demasiadas palavras de baixo calão. E aí não será possível a educação/conscientização dos menores. Mesmo sendo adulta, ainda é um desenho, atraindo o público infantil, então vale a atenção para cenas de nudez e palavreado.


Os preconceitos são evidenciados e tento enxergar no propósito de ser reflexivo a ponto de transformar nossa sociedade. Pensando alto, sim. Sonhando muito, talvez. Há controvérsias sobre o termo “queer”, que no caso não foi dito pelo protagonista, e sim foram rotulados, os definiram assim. O grupo foi julgado pela sua orientação sexual como se isso definisse tudo sobre eles; atributos, virtudes, capacidade e méritos, nada mais importa. Achei que seria fácil falar sobre isso, trouxe algumas reflexões, mas no fim fiquei sem saber como a comunidade LGBTQIA+ pensa. Se esse rótulo é válido, eu já não compreendo muito; se a série acertou mesmo na representatividade, estou aberta para aprender mais com vocês.

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